As contas Secretas da Maçonaria Portuguesa

 O Jornal SOL divulgou uma matéria interessante.

O SOL teve acesso a documentos internos do GOL que revelam o poder económico da organização e das associações controladas por maçons. São milhões de euros em palácios, terrenos e contas bancárias. Só em quotas há um encaixe de 600 mil euros por ano e em venda de vestes maçónicas os cofres do GOL receberam 37 mil euros no último ano.

Palácios, terrenos, apartamentos, contas bancárias. O SOL teve acesso às contas da mais antiga maçonaria do país, que mostra o valioso património do Grande Oriente Lusitano (GOL). São mais de quatro milhões em fundos patrimoniais, sendo que o bem mais valioso é o Palácio no Bairro Alto, onde funcionam as reuniões maçónicas e que, a valores atuais de mercado, pode atingir valores superiores a 10 milhões de euros. Mas nas mãos dos maçons estão também o que chamam associações paramaçónicas, que são controladas pela maçonaria, neste caso o GOL. 

As contas mostram que a que tem o maior património é o Internato de São João, uma Instituição de Solidariedade Social com mais de 6 milhões de euros no banco. 

No que se refere ao GOL (Grande Oriente Lusitano), entre as receitas estão as quotas a pagar pelos maçons. Em quotas, os cofres da obediência receberam mais de 600 mil euros, mais detalhadamente 681.480 euros/ano. Já em ‘joias’ – pagamento extra que tem se der feito por quem entra ou quem sobe de grau dentro das lojas maçónicas – foram registados rendimentos de 40 mil euros. 

Foram ainda recebidos cerca de mil euros por terem sido emitidos passaportes maçónicos aos membros que quiseram frequentar lojas noutros países. 

Ao todo, segundo este documento interno a que o SOL teve acesso, aprovado em março de 2016, havia inscritos no GOL 2.393 maçons. Destes, só 16 têm menos de 30 anos. Mas 128 têm mais de 80.

Os dados mostram ainda que saíram da obediência e de forma oficial 153 membros. Já outros 15 foram irradiados, ou seja, expulsos.


Vestes maçónicas rendem mais de €50 mil

Outro dos rendimentos do GOL vem do museu maçónico. O Relatório e Contas explica que a Loja Museu teve rendimentos que somam os 54.500 mil euros. Cerca de 3.660 resultam da venda de bilhetes. Já a compra de livros e opúsculos resultaram em 13.400 mil euros para as contas da obediência. O museu teve 1.223 visitantes em 2025, um pouco mais do que em 2024, tendo aumentado o número de estrangeiros. 

Mas a ‘maior fatia’ de receita do museu, como refere o documento resulta do que é chamado de ‘paramentação maçónica’. Ou seja, as roupas e adereços que os maçons têm de usar nos rituais, como os aventais, as luvas e os colares. Ao todo, o GOL recebeu 37.500 euros com a venda destes paramentos. 

O grande património do GOL é, no entanto, o conjunto de edifícios que tem pelo país. Tal como em Lisboa, também no Porto e Coimbra a obediência possui palacetes. No Porto, o edifício situa-se na Rua D. João IV, no centro da cidade, com dois templos para se fazerem as reuniões com rituais. 


Contas de seis milhões de euros

Todas as contas estão sob alçada de uma organização chamada Grémio Lusitano – uma instituição com personalidade jurídica que é, porém, controlada pelo GOL. Aliás, todas as contas da obediência são aprovadas pela Grande Dieta – o parlamento maçónico do GOL. Todos os que entram nas lojas maçónicas são também sócios do Grémio. 

O mesmo esquema existe nas chamas organizações paramaçónicas, que, apesar da sua autonomia, têm como sócios os maçons do GOL e são controladas pelos responsáveis do GOL. Uma delas é a Sociedade Promotora de Escolas e outra o Internado São João. 

A primeira, de acordo com documentos a que o SOL teve acesso, tem um edifício no Largo da Graça, em Lisboa. A outra tem um património bem mais poderoso. Documentos da própria organização revelam que há depósitos bancários superiores a seis milhões de euros, que resultaram da venda de um imóvel na Praça do Comércio, segundo várias fontes maçónicas. Mas, além disso, esta associação conta com outros edifícios, como a sede na Travessa do Loureiro, ou outros, nomeadamente na Parede, na Rua dos Castelinhos, na Rua dos Remédios ou na Calçada da Tapada. 

O património atinge assim mais de oito milhões de euros, devendo ser mais elevado tendo em conta que o valor atribuído aos imóveis não será o de mercado. No rol de património estão ainda alguns milhares em terrenos.

Os documentos revelam ainda que os maçons do GOL têm em depósitos à ordem cerca de 342 mil euros. E aqui estão incluídos os 21 mil euros que o GOL deu ao Apoio dos Deslocados da Ucrânia e também os 52 mil euros que constam do Fundo de Solidariedade, que existe, segundo os maçons, para usar em casa de um ‘irmão’ esteja necessitado. 


Fonte: Jornal SOL

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