A China voltou a pressionar Taiwan num momento em que os Estados Unidos estão focados no agravamento das tensões com o Irão. Supostamente foi um exercício militar, mas foi para demonstrar força.
Segundo as forças armadas taiwanesas, 26 aeronaves militares chinesas e 7 navios de guerra circularam ontem em torno da ilha ao mesmo tempo — a maior atividade militar chinesa na região em várias semanas.
A coincidência temporal não passou despercebida: no mesmo dia, Washington anunciou o envio de mais tropas para o Médio Oriente.
Taiwan também confirmou um acordo de aquisição de armamento no valor de 9 mil milhões de dólares, tentando acelerar processos antes do prazo de 15 de março. Um dos contratos — que inclui 82 sistemas HIMARS — expira já a 26 de março. Entretanto, a Coreia do Sul retirou discretamente o seu sistema antimíssil THAAD devido às tensões com o Irão. Se Pequim avançar, Pyongyang poderá aproveitar para pressionar simultaneamente o Japão e a Coreia do Sul.
A sequência de acontecimentos levanta um alerta evidente:
Após 16 dias de silêncio militar em torno de Taiwan — que alguns interpretaram como um sinal de distensão — a China reapareceu com força. A aparente calma não era paz; era Xi Jinping à espera do momento mais favorável.
Os EUA, por sua vez, estão profundamente envolvidos no conflito no Médio Oriente, com arsenais de mísseis reduzidos e grande parte das suas forças destacadas no Golfo.
E no centro de tudo está a TSMC, responsável por 90% dos semicondutores avançados do planeta. Uma eventual queda de Taiwan teria impacto direto em empresas de IA, fabricantes de smartphones e construtores automóveis. Há analistas que antecipam até uma possível queda de 50% no S&P 500. O New York Times já alertou que tal cenário poderia “paralisar a economia americana”.
A questão que poucos ousam colocar é simples e desconfortável:
Se a China decidir agir agora, como poderão os Estados Unidos responder num momento em que têm recursos militares limitados e o preço do petróleo dispara para os 100 dólares?
Para muitos observadores, esta pode ser a janela geopolítica mais delicada desde 2003.


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