Eternidade Digital?
A Meta (empresa dona do Facebook) patenteou uma tecnologia IA, que permite que mesmo após morrermos, a nossa "persona digital" continuará a publicar posts no nosso Facebook.
A proposta descrita na patente assenta em grandes modelos de linguagem capazes de aprender com o histórico de um perfil: publicações antigas, gostos, comentários, preferências de estilo e até padrões de resposta. Com esses dados, a IA poderia publicar conteúdos, reagir a posts de amigos e, no limite, simular interações mais ricas, como mensagens de voz ou vídeo.
A ideia parece especialmente direccionada a utilizadores com forte dependência de público — criadores, marcas pessoais ou figuras públicas — que desejem fazer uma pausa sem perder tração.
Polémicas:
Se um dia esta tecnologia avançar, pode implicar:
Distorcer a memória: mesmo com dados extensos, nenhum modelo capta contexto, ironia, dúvidas ou evolução de valores que a pessoa teria no futuro.
Ampliar danos emocionais: para familiares e amigos, a continuidade artificial pode atrasar processos de luto ou gerar choques ao ver “publicações novas” de quem partiu.
Colidir com direitos digitais: quem controla o acesso aos dados? Quem pode desligar o avatar? E o que acontece se surgirem divergências entre herdeiros?
Facilitar abuso e fraude: impostores já exploram vozes clonadas e perfis falsos; uma presença oficializada, mas pouco transparente, pode tornar-se arma de desinformação.

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